Formado em design pela Universidade FIEO e cursando pós-graduação em Arquitetura de Informação pela Impacta, é responsável pela implantação desta importante fase de um projeto de design na Agência VM2.
Zero Junior já palestrou, participa da equipe do Rede Social Media além de cuidar de seu blog. Conheça um pouco desta área ainda pouco falada em nosso país.
Adriana – Como conheceu esta área, houve alguma motivação?
Zero Junior – Me interessei quando fiz um curso de Design de Interação na Jump Education e surgiram comentários desta nova área de estudo para web. Ao voltar à agência, iniciei meus estudos por interesse próprio e há cerca de um ano e meio fiz uma proposta para a diretoria de iniciarmos uma metodologia para vendermos projetos relacionados.
Neste momento, desenvolvi documentações de implantação e treinamento para equipes do departamento comercial e atendimento, ajudando na concepção dos contratos e então partimos para as propostas.
Adriana – Qual o perfil de um arquiteto de informação?
Zero Junior – O arquiteto da informação é um profissional multidisciplinar e a principal característica é a de se planejar um ambiente de informações baseado em pesquisas de comportamento de usuários em determinadas situações. Facilidade com pesquisas, boa vontade, boa redação, conhecimento de UX e design de interação são essenciais.
Adriana – Qual o foco desta disciplina?
Zero Junior – Planejamento de um ambiente de informações organizado com base em estudos de experiência e comportamento do usuário e como meta a especificação do objetivo do negócio.
Adriana – Qual a importância da arquitetura da informação para projetos web?
Zero Junior – Arquitetura da informação ou A.I. é uma etapa de pré-projeto para desenvolvimento de web sites, portais ou qualquer estrutura digital que ofereça informação e possibilidades de interação com o usuário. A principal característica da A.I. é a preocupação com o usuário, buscando a satisfação subjetiva e conforto. Para tanto, utiliza-se padrões de desenvolvimento de conteúdo para que não existam barreiras entre a busca e o entendimento, para que haja troca de informação clara e eficiente entre o usuário e a interface.
O objetivo de um trabalho de A.I. é criar as estruturas de organização das informações para que além de compreender e encontrar facilmente as informações que necessita, o usuário desempenhe suas tarefas com facilidade. Para tanto, é necessário definir regras de organização do web site, traçar o modelo de interação com o usuário baseado em experiência e conhecimento do perfil do usuário e análise conotativa das tarefas para buscar o modelo conhecido pelo usuário em outros ambientes. Por fim, o projeto de Arquitetura da Informação documenta as regras de vocabulário controlado, o mapa e fluxo de informações do site e especifica as páginas do web site e seus componentes em rascunhos de tela chamados wireframes.
Adriana – Existem muitas barreiras para implantação de AI, por exemplo, nomenclaturas que não devem ser mudadas devido às políticas da empresa ou é algo bem aceito e compreendido pelos clientes?
Zero Junior – Existe sim resistência na maioria das vezes, porém utilizamos a etapa de Taxonomia para resolver este problema. O foco na fase de pesquisa é o usuário, portanto para definição da terminologia adequada aplicamos um teste chamado Card Sorting onde o próprio usuário organiza cartões com determinadas terminologias e pode criar novos termos ou alterar os existentes. Neste momento percebemos termos que o usuário não conhece e muitas vezes eles criam cartões com termos novos mas que significam o mesmo que havíamos “tentado”.
Posso apontar como “barreiras” no trabalho do arquiteto da informação:
- Limitações de tecnologia;
- Limitações de budget do cliente, principalmente no que diz respeito a investimento em testes com usuários, pois geralmente são caros e os clientes decidem não trabalhar com isso, o que prejudica um dos pilares: o usuário como centro de tudo.
- Evangelização: No caso de implantação de metodologia na empresa, é necessário convencer a todos das vantagens, necessidade e nem sempre se conquista isso facilmente. Demorei cerca de um ano para conquistar o espaço desejado e hoje “Arquitetura da informação” é uma das frentes da empresa.
Adriana – Ainda não é uma área muito conhecida, não possui diversos cursos e são poucas as pessoas especializadas. Nesse caso, para alguém que queira se aprofundar, quais autores/livros indispensáveis para estudantes e atuantes da área?
Zero Junior – Em São Paulo temos como cursos específicos de A.I. apenas a pós graduação da Impacta Tecnologia e o curso rápido da Jump Education. Na área de educação é possível se especializar em Design de Interação pois é a área mais próxima aos estudos de A.I., porém também participam do cenário estudantes de Biblioteconomia, Desenho Industrial, Design e cursos de Comunicação em geral.
Para literatura, é possível se basear principalmente em listas de discussão como a listadeai e a lista (em inglês) do IXDA ou livros, para iniciar os estudos como Ansiedade da Informação (Richard Saul Wurman), Information Architecture for the World Wide Web (Jackob Nielsen), Design do dia a dia e Design emocional (Donald Norman), Design para a internet (Felipe Memória).
Realmente os estudos no Brasil ainda estão amadurecendo, por isso o mais importante para quem deseja iniciar é encarar os livros e participar dos eventos realizados por exemplo pelo EBAI (Encontro Brasileiro de A.I.) ou encontros de Design de interação como a IXDA promove e participar das listas de discussão, pois é lá que surgem as novidades do mundo todo e as pessoas discutem dificuldades e soluções.
Listas recomendadas:
- http://lists.ibiblio.org/mailman/listinfo/aifia-pt
- www.ixda.org/discuss.php
- www.boxesandarrows.com
- www.nngroup.com


